Uma mulher num templo em ruínas.
Uma clareira no meio das montanhas.
Ela não sabe mais porque está ali.
Esqueceu-se de si mesma.
Só sabe que não pode sair.
Pelo vento, pressente a chegada de vida. Uma multidão, um exército, elefantes.
Atravessara as montanhas com seu exército de elefantes.
Acamparam na clareira e as ruínas do pequeno templo eram iluminadas pelas fogueiras.
Ele a viu. Por entre os restos de colunas.
Uma imagem de mulher, irreal, fugidia, imaterial, azul para além do dourado.
Levantou-se e, de olhar fixo, aproximou-se.
Ao subir os degraus, não mais a viu.
De manhã, seguiu com o exército e os elefantes para o destino: Roma.
Ela estava lá.
Habitava aquele templo, deusa e sacerdotisa, esquecida de si há séculos.
Houvera um tempo em que sua existência era cultuada.
Homens a buscavam e viam.
Sem nome, sem rosto...
Um grande hausto de satisfação e lembrança.
Como fantasma vivera nesse lugar, presa sem ter aonde ir.
O olhar de um homem que viu além das ruínas a traz de volta do esquecimento, da morte.
1999, LeonoraG.
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