Chego à pequena aldeia, para conversar com a velha. Confesso que quero saber como ela está, pois estou ansiosa pela sua morte. Há promessas não reveladas para além da morte dela.
É um dia quente e poeirento em algum lugar no alto das montanhas. Um lugarejo com meia dúzia de casas e uma igrejinha. Não há Casas Pernambucanas.
Pela única rua vem um cortejo fúnebre.
Típico. Dois homens, índios nativos, carregam nos ombros um comprido pedaço roliço de madeira de onde pende uma rede e nela, com certeza, está um morto.
Outros rostos, poucos, entre homens e mulheres, seguem atrás, consternados.
A princípio, pensei que fosse alguém deles, outro nativo.
Mas, eu sabia, na verdade, quem era.
Não fora sem motivo que me vira deslocada até ali.
Seguí-os até o pequeno cemitério e acompanhei o enterro.
Esperei que todos se fossem e só então pude despedir-me.
Na varanda da casa, sentada na cadeira de balanço, coloquei-me no lugar dela e pensei poder ver o mundo com os seus olhos. Com certeza me faria bem.
A vista era muito bonita, sem dúvida. Montanhas verdes ao longe. Até lá, pastos e plantações. Era bonita a fazenda, mas o calor, cheio de umidade e pressão do ar, fez-me sentir pesada e sonolenta. Cerrei os olhos ao excesso de luz.
Senti, então, a presença dela ao meu lado. Como se quisesse responder às minhas perguntas.
Sim, estava ali por causa das minhas perguntas.
Muitas vezes pensei em voltar, ela disse, mas nada havia fora daqui que realmente me convencesse a empreender o esforço de deixar este lugar.
Pensei que deveria voltar por não pertencer a este lugar, mas este lugar era o único que me pertencia. Pensei nas pessoas que falavam minha língua, acreditavam nas mesmas coisas, estudaram nos mesmos livros. E nada disso era verdadeiramente forte para me tirar daqui.
Eu não tinha mais perguntas.
Ela estava feliz.
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