No prefácio escrito por Carl G.Jung, psicanalista suíço, ao I Ching, livro oracular chinês, compilado por Richard Wilhelm, encontramos:
Na Teoria das Idéias do I Ching, “...todo conhecimento no mundo visível é um efeito de uma imagem, isto é, de uma idéia num mundo invisível. O que acontece na Terra é uma reprodução de um acontecimento num mundo situado além de nossas percepções sensoriais; quanto à sua ocorrência no tempo, é sempre posterior ao evento supra-sensível. Os homens santos e sábios, estando em contato com aquelas esferas mais elevadas, têm acesso a essas idéias através de uma intuição direta e, assim, podem intervir nos acontecimentos do mundo. Desse modo, o HOMEM está ligado ao CÉU, o mundo supra-sensível das idéias e à TERRA, o mundo material das coisas visíveis, formando com eles a tríade dos poderes primordiais.” (1)
Imagens mentais ou imagens psíquicas são imagens que vemos dentro da mente e não no mundo material ou visível aos olhos. Essas imagens são vistas com os olhos da alma.
“Uma imagem inconsciente pode alcançar a consciência de maneira direta, literalmente.” (2)
Ou seja, de repente, sem mais nem menos, sem que se saiba de onde, ela se estampa na mente com toda a força comunicativa de seu conteúdo. Simplesmente, por ela se sabe tudo o que nela mesma está contido, sem esforço. É um saber intuitivo, direto e completo.
“Uma imagem inconsciente pode também alcançar a consciência de maneira indireta, através de um sonho, associação ou premonição para cuja compreensão é preciso utilizar a linguagem simbólica.” (3)
Nos dois casos, a imagem se comunica no presente mesmo correspondendo a fatos que ainda virão a ocorrer. Sobre isso, Jung outra vez:
“...quando se trata de acontecimentos futuros...estes não são síncronos, mas sincronísticos, porque são experimentados como Imagens Psíquicas no presente, como se o acontecimento objetivo já existisse.” (4)
As imagens mentais ocorrem quando:
“...há um certo estreitamento da consciência, acompanhado de um fortalecimento simultâneo do inconsciente, facilmente reconhecível...” (5)
Isso quer dizer que quando nos permitimos parar de pensar sobre algo (concentração), quando diminuímos a atenção ou o desejo de consciência e deixamos que o inconsciente aflore, na verdade estamos expandindo a própria consciência (desconcentrando, ampliando). A mente assim, busca outros dados, mais além do ponto onde estava e depois retorna com uma imagem completa, condensada.
O velho sábio chinês, eternizado no livro do I Ching, diz:
“Quando se quer comprimir algo é preciso antes deixar que se expanda completamente.”
Em outras palavras, quando se deseja uma síntese é preciso fazer uma longa análise. Imagens são informações complexas. Qualquer imagem encontrada no mundo visível o é. Uma condensação de informações. Os dados mais básicos, mais simples, dos quais se compõe a imagem, desaparecem da consciência imediata apesar de continuarem lá. É dessa forma que esquecemos do quê as coisas são feitas. Saber que imagens se decompõem em informações, que informações são pensamentos, que pensamentos são dados, que dados se combinam de formas infinitas, serve para que possamos aprender a criar conscientemente o mundo em que queremos viver.
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