sábado, 14 de agosto de 2010

DUAS FORMAS DE INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE:







DUAS FORMAS DE INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE:
O PENSAMENTO OCIDENTAL E O PENSAMENTO ORIENTAL


INTRODUÇÃO

Este artigo pretende expor, esclarecer e analisar as formas de pensamento ocidental e oriental baseando-se no prefácio que C.G.Jung escreveu à tradução feita por Richard Wilhelm ao I Ching-O Livro das Mutações.
Acreditamos que seu estudo seja útil para mostrar que existem formas diversas de interpretação da realidade e que sua integração pode ampliar a habilidade humana de compreensão de sua própria vida e consequente solução de seus problemas.

O PENSAMENTO OCIDENTAL

Essa forma de pensar é, para nós, ocidentais, bastante familiar. Nossa ciência, ou nossa forma de conhecer o mundo e interpretá-lo baseia-se no principio da causalidade, ou seja, para todo efeito ou fenômeno existe uma causa prévia.
Jung (I CHING, p.17) diz: “A causalidade enquanto uma verdade meramente estatistica não absoluta é uma espécie de hipótese de trabalho sobre como os acontecimentos surgem uns a partir dos outros.”
A mente ocidental, nossa racionalidade, diante de um objeto de conhecimento, tende a fragmentar, examinar, pesar, selecionar, classificar e isolar os elementos componentes buscando um “resultado claramente definido de um concordante processo causal em cadeia” (idem, p.16) Além disso, é necessário que possa ser reproduzido em laboratório, ou seja, retirado do momento natural de ocorrência e repetido tantas vezes quantas forem necessárias para que se elaborem “leis naturais” as quais, para Jung, não são mais do que “verdades estatísticas que supõem, necessariamente, exceções.”(p.16) O acaso é algo a ser combatido e as coincidências, menosprezadas.
O pensamento ocidental é, assim, classificado como causal, analítico e linear.

O PENSAMENTO ORIENTAL

A forma de pensar oriental baseia-se no principio da casualidade, onde até mesmo o mais ínfimo detalhe pertence ao momento observado, coexistindo todos no tempo e no espaço. A coincidência, o acaso, é, portanto, um fator de grande relevância.
“...tudo o que acontece num determinado momento tem inevitavelmente a qualidade peculiar àquele momento.” (p.16)
Pode-se visualizar esse modo de pensar, como um conjunto matemático e suas noções de conteúdo e continente.
Deve-se ressaltar que a subjetividade, as condições psíquicas do observador estão inseridas no mesmo momento, sendo, portanto, uma realidade psicofísica. O observador não está ausente ou alheio ao momento.
Jung esclarece: “...a coincidência dos acontecimentos, no espaço e no tempo, significa algo mais que mero acaso, precisamente uma peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como dos estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores.”(p.17)
Isso significa que o estado psíquico do observador ou sua simples presença altera a observação ou altera o objeto observado. O objeto observado não pode ser isolado da existência do observador para ser conhecido.
O pensamento oriental pode, então, ser classificado como casual, sintético, psicofísico e continente.

A INTEGRAÇÃO

A integração das formas oriental e ocidental de pensar já vem sendo feita por cientistas, notadamente entre os físicos. Os estudos de física quântica, a microfisica, já vêem demonstrando a impossibilidade de dissociar o elemento psíquico da totalidade da situação observada. O que nos enche de perguntas.
Se o observador está ”dentro” da realidade observada, quem observa a realidade observada acrescida do observador?
Há possibilidade real de qualquer conhecimento?
O que é um estado psíquico?
Como ele altera a situação ou objeto observado?
Como trazer esse conhecimento para fora dos laboratórios de “alta ciência”, para dentro das nossas vidas cotidianas e melhorar a nossa capacidade de compreensão da realidade e, consequentemente, nossas respostas a essa mesma realidade? Aplicando a racionalidade ou a fragmentação após a efetiva absorção da totalidade do momento?.
Aplicar a racionalidade ou fragmentação, nós, ocidentais já conhecemos. Então, o que significa a efetiva absorção da totalidade do momento? Que espécie de conhecimento é esse?
(obs.: aquela figura ali de cima deveria estar aqui, mas neste blog Blogger não há recursos adequados para inserir imagens onde se deseja.)






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