Acessando o Amor,
em vibração incondicional
crio, com a mais pura intenção,
o momento em que te abraço,
nascido agora e projetado,
à espera de um lugar no espaço.
Com a intensidade da alma
banhada em luz,
agradeço a ti que,
de tão amigo no céu,
na Terra se prestou a ser meu inimigo.
Como poderia eu ter aprendido a lição
de ser o último,
lavar os pés,
pedir perdão?
1999, LeonoraG.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
A BELEZA DO BELO
Em uma mulher, o Espírito
à procura da Alma
em um homem.
Eu vejo,
com os olhos de um homem,
assombrado, intimidado, enternecido,
a Virgem,
alma à espera do espírito,
da fertilidade.
Mas que cuidado, que delicadeza,
que respeito se interpõem entre
a espera e a ação!
A Beleza que deve ser tocada
de forma ao mesmo tempo
tão Bela que,
um e outro,
no encontro,
não mais se diferenciem.
Por uma flor que me deixaste,
uma semente,
um presente,
um beijo.
1999 LeonoraG.
à procura da Alma
em um homem.
Eu vejo,
com os olhos de um homem,
assombrado, intimidado, enternecido,
a Virgem,
alma à espera do espírito,
da fertilidade.
Mas que cuidado, que delicadeza,
que respeito se interpõem entre
a espera e a ação!
A Beleza que deve ser tocada
de forma ao mesmo tempo
tão Bela que,
um e outro,
no encontro,
não mais se diferenciem.
Por uma flor que me deixaste,
uma semente,
um presente,
um beijo.
1999 LeonoraG.
QUANDO SE QUER
Quando se quer iniciar algo que se iniciou há muito tempo,
onde estará o início?
Se a velha resposta lhe ocorre: pelo começo,
está gravado na mente o equívoco.
Superada a necessidade da forma,
de Júpiter, a ordenação espacial,
antes mesmo que este caia,
quem vem depois já caiu.
Saturno vem depois, mas
antes, já não existe.
Entre a Terra e o céu, Urano,
não há mais separação.
Suprimir o tempo é muito fácil,
marcando as batidas do coração.
Novo fim para novo início,
o que vigora é o aqui e o agora.
Tudo o que quiseres ter,
basta que saibas ver.
Por qualquer lugar se pode então começar.
Ancião dos dias, Saturno, tempo que nos corrompe,
larga a enxada sem perceber que, em sincronia,
a Vênus nasce do mar.
O que se chama amor não é mais que vibração.
Cadência harmônica, ressonante,
que jamais invade, penetrando,
que jamais modifica, transformando.
E quem não sentia, agora sabe
onde é o lugar do coração.
Transformou-se a face do mundo.
Vamos navegar num sistema.
Te convido. Podes vir ou não.
Mas quem pensa que está fora
já entrou na contramão.
Eu cansei de fazer rima
Esse som fica enjoado
Dá prá tentar de outra forma
comunicar o incomunicado?
Parece incrível e é.
A mente está cantando,
ouvindo um som,
entoando.
Tentei pegar um caminho e nada se abria.
Não há vontade nenhuma que se lhe possa vencer.
Devo me entregar,
não resistir, ouvir.
O que me entra pelos ouvidos?
A luz das estrelas.
E o que dizem?
Falam da Voz do Trovão,
luz e som, feixe e onda, salto quântico,
espirais, escalas harmônicas,
um sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema.
De repente, eu entendo o que há na poesia.
Um balançar de ondas sempre contínuas,
a jogar as palavras em cadência sonolenta.
Se eu seguir escutando,
entro em transe.
O que acontece?
Estás sentindo, ao ler,
que eu estava resistindo?
Vaidosamente pensando:
Que bobo ficar rimando!
E vou ficando enjoada
desse constante blablablá.
Devo seguir adiante,
para ver onde vai dar.
Nessa volta do caminho,
em espiral inferior,
ao entrar, eu tive medo e
me amarrei a um fiozinho.
E repito, eu resisto.
Que saco essa ladainha.
Que mente teimosa, eu escuto.
Será que ainda não aprendeu?
Não foi à toa que o Fausto
em versos Goethe escreveu.
Quando se escuta a cadência,
fazendo a mente se calar,
toda a estrutura pesada vai
começar a vibrar.
Um pouco mais,
um pouco mais,
um pouco mais.
Não. Não vai quebrar.
Louco não vais ficar.
Continue.
Continue a entoar.
Pegue qualquer palavra,
entre pelo sistema,
é sempre a mesma meleca
e se não dizes,
refreia.
Interrompes a cadeia.
E quem podia imaginar,
que eu um dia pudesse,
nessa velocidade rimar.
Sinto-me agora,
o perfeito repentista.
E o que há no Nordeste
que cria tantos artistas?
Provavelmente é o Sol,
a lhes bater na moleira
fica mole, relaxada,
pronta prá brincadeira.
É assim que me sinto,
pronta para passar,
atravessar a barreira.
Começo a perceber
o que está lá dentro,
dessa dimensão a romper,
que nos impede de ser
jovens a vida inteira.
Passei.
Agora dá para parar
e comer uma pizza toda,
pois desde ontem não como.
Como primeiro exercício
foi bem,
mas é um vício.
Não se consegue parar
porque é se embriagar.
Embriagar de alegria
e em criança se ver.
Você que nunca aprendeu
a só ser feliz
e não sofrer.
É um poderoso remédio
que em tudo jorra.
Não vai dar esse caminho,
não tem rima,
só tem zorra.
Zorra não é palavra,
nenhuma beleza ela tem.
Mas quem está preocupado
com o tamanho do trem?
Eu não consigo parar.
Eu quero, mas não consigo.
Imagino onde vai dar.
Numa mente tão criança
que não tem nada a consertar.
E então a vibração,
por todo tempo terá,
presente, passado e futuro,
um novo rosto a mostrar.
Nada há que não se cure
prá quem conseguir chegar,
no lugar onde se guarda
o Cálice
e dele tomar.
Não é preciso beber.
Não é preciso sofrer.
Basta que você queira
das suas dores esquecer.
É um novo nascimento.
Um mundo mental que se abre.
Não tem Dioniso nem Baco,
o amor é infantil.
Na mesma cama se encontra
toda a gente do Brasil.
Credo, que exagero.
Não quero me confundir.
Será que o povo está certo?
Deus é mesmo brasileiro?
Não será à toa que estou,
então a escutar,
essa cadência melosa,
o som de sino a dobrar.
Em toda parte estarão
outras mentes como a minha,
nesse momento, a saudar.
Muitos segundos se passam
em branco,
emudeci.
Não perceberam vocês que parei,
briguei,
desci?
Não posso parar de entoar.
Mas posso comunicar
que minha mente pensou
onde estou?
Posso estar sendo usada
para alguma armação?
Não volte atrás,
dizem,
não quebre a arrumação.
Minha mente entrou na rede
da alegria e redenção.
O que é que estou dizendo?
Não acho outra palavra e digo,
Não.
Percebo algumas paradas,
deu prá sentir a marcação.
Estou me sentindo fantoche.
Onde está meu coração?
Sigo ainda questionando,
mesmo sem dar atenção.
O movimento está feito.
No mundo todo se vê.
Uma grande, imensa, onda
a se espalhar bem azul.
O coração da Terra
nasceu no Hemisfério Sul.
1999, LeonoraG.
onde estará o início?
Se a velha resposta lhe ocorre: pelo começo,
está gravado na mente o equívoco.
Superada a necessidade da forma,
de Júpiter, a ordenação espacial,
antes mesmo que este caia,
quem vem depois já caiu.
Saturno vem depois, mas
antes, já não existe.
Entre a Terra e o céu, Urano,
não há mais separação.
Suprimir o tempo é muito fácil,
marcando as batidas do coração.
Novo fim para novo início,
o que vigora é o aqui e o agora.
Tudo o que quiseres ter,
basta que saibas ver.
Por qualquer lugar se pode então começar.
Ancião dos dias, Saturno, tempo que nos corrompe,
larga a enxada sem perceber que, em sincronia,
a Vênus nasce do mar.
O que se chama amor não é mais que vibração.
Cadência harmônica, ressonante,
que jamais invade, penetrando,
que jamais modifica, transformando.
E quem não sentia, agora sabe
onde é o lugar do coração.
Transformou-se a face do mundo.
Vamos navegar num sistema.
Te convido. Podes vir ou não.
Mas quem pensa que está fora
já entrou na contramão.
Eu cansei de fazer rima
Esse som fica enjoado
Dá prá tentar de outra forma
comunicar o incomunicado?
Parece incrível e é.
A mente está cantando,
ouvindo um som,
entoando.
Tentei pegar um caminho e nada se abria.
Não há vontade nenhuma que se lhe possa vencer.
Devo me entregar,
não resistir, ouvir.
O que me entra pelos ouvidos?
A luz das estrelas.
E o que dizem?
Falam da Voz do Trovão,
luz e som, feixe e onda, salto quântico,
espirais, escalas harmônicas,
um sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema
num sistema.
De repente, eu entendo o que há na poesia.
Um balançar de ondas sempre contínuas,
a jogar as palavras em cadência sonolenta.
Se eu seguir escutando,
entro em transe.
O que acontece?
Estás sentindo, ao ler,
que eu estava resistindo?
Vaidosamente pensando:
Que bobo ficar rimando!
E vou ficando enjoada
desse constante blablablá.
Devo seguir adiante,
para ver onde vai dar.
Nessa volta do caminho,
em espiral inferior,
ao entrar, eu tive medo e
me amarrei a um fiozinho.
E repito, eu resisto.
Que saco essa ladainha.
Que mente teimosa, eu escuto.
Será que ainda não aprendeu?
Não foi à toa que o Fausto
em versos Goethe escreveu.
Quando se escuta a cadência,
fazendo a mente se calar,
toda a estrutura pesada vai
começar a vibrar.
Um pouco mais,
um pouco mais,
um pouco mais.
Não. Não vai quebrar.
Louco não vais ficar.
Continue.
Continue a entoar.
Pegue qualquer palavra,
entre pelo sistema,
é sempre a mesma meleca
e se não dizes,
refreia.
Interrompes a cadeia.
E quem podia imaginar,
que eu um dia pudesse,
nessa velocidade rimar.
Sinto-me agora,
o perfeito repentista.
E o que há no Nordeste
que cria tantos artistas?
Provavelmente é o Sol,
a lhes bater na moleira
fica mole, relaxada,
pronta prá brincadeira.
É assim que me sinto,
pronta para passar,
atravessar a barreira.
Começo a perceber
o que está lá dentro,
dessa dimensão a romper,
que nos impede de ser
jovens a vida inteira.
Passei.
Agora dá para parar
e comer uma pizza toda,
pois desde ontem não como.
Como primeiro exercício
foi bem,
mas é um vício.
Não se consegue parar
porque é se embriagar.
Embriagar de alegria
e em criança se ver.
Você que nunca aprendeu
a só ser feliz
e não sofrer.
É um poderoso remédio
que em tudo jorra.
Não vai dar esse caminho,
não tem rima,
só tem zorra.
Zorra não é palavra,
nenhuma beleza ela tem.
Mas quem está preocupado
com o tamanho do trem?
Eu não consigo parar.
Eu quero, mas não consigo.
Imagino onde vai dar.
Numa mente tão criança
que não tem nada a consertar.
E então a vibração,
por todo tempo terá,
presente, passado e futuro,
um novo rosto a mostrar.
Nada há que não se cure
prá quem conseguir chegar,
no lugar onde se guarda
o Cálice
e dele tomar.
Não é preciso beber.
Não é preciso sofrer.
Basta que você queira
das suas dores esquecer.
É um novo nascimento.
Um mundo mental que se abre.
Não tem Dioniso nem Baco,
o amor é infantil.
Na mesma cama se encontra
toda a gente do Brasil.
Credo, que exagero.
Não quero me confundir.
Será que o povo está certo?
Deus é mesmo brasileiro?
Não será à toa que estou,
então a escutar,
essa cadência melosa,
o som de sino a dobrar.
Em toda parte estarão
outras mentes como a minha,
nesse momento, a saudar.
Muitos segundos se passam
em branco,
emudeci.
Não perceberam vocês que parei,
briguei,
desci?
Não posso parar de entoar.
Mas posso comunicar
que minha mente pensou
onde estou?
Posso estar sendo usada
para alguma armação?
Não volte atrás,
dizem,
não quebre a arrumação.
Minha mente entrou na rede
da alegria e redenção.
O que é que estou dizendo?
Não acho outra palavra e digo,
Não.
Percebo algumas paradas,
deu prá sentir a marcação.
Estou me sentindo fantoche.
Onde está meu coração?
Sigo ainda questionando,
mesmo sem dar atenção.
O movimento está feito.
No mundo todo se vê.
Uma grande, imensa, onda
a se espalhar bem azul.
O coração da Terra
nasceu no Hemisfério Sul.
1999, LeonoraG.
terça-feira, 27 de julho de 2010
JASON E A ESCADA DE JACÓ

Estou aqui outra vez. Por muito tempo me esqueci deste lugar. Costumava vir aqui todas as noites quando era menino. Eu e Galahaad, o meu carneiro, aquele que insistia em dizer que já havia sido cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur e que encontrara o Graal, o Santo Cálice no qual se diz que José de Arimatéia recolheu o sangue de Jesus crucificado e também com o qual Jesus teria participado da última ceia e dito aquelas conhecidas palavras: Este é o meu sangue que é dado por vós...fazei isso em memória de mim. E transubstanciou o vinho em sangue ou o sangue em vinho. É uma história que ainda não entendo bem, mas com certeza, há cheiro de mistério no ar. Um bom mistério é aquele que passa relativamente despercebido. Como pequenas portas que levam a grandes lugares, como pontes de arco-íris, como arcas de tesouros invisíveis. Isso. Tesouros invisíveis. Daqueles que para se poder ver é preciso ter “olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Devem ser olhos e ouvidos extraterrestres, pois até hoje, não se sabe de ninguém que os tenha encontrado, visto e ouvido. A não ser esse metido carneiro que insiste em dizer que já foi cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur e que encontrou o Graal, desapareceu do mundo em que vivia e agora vive aqui, comigo. Galahaad. Diz ele que também ficou conhecido como Parcival ou Percival. Não sei se quero acreditar no que ele diz, afinal, o que teria dado certo nessa aventura dele se desapareceu e virou carneiro e não sabe desvirar? Saibam que ele acaba de me destinar um olhar gélido universal e murmurou algo ininteligível como “ignorante” e ficou amuado.
Acho que fiquei meio mal-humorado ao chegar aqui de novo. Talvez tenha me lembrado lá no fundo do inconsciente que ele, Galahaad, sempre me fazia demorar para subir essa longa escada. Eu tinha de esperar por ele e aquelas quatro perninhas curtas reclamando da altura dos degraus. Difícil era quando ele queria parar para descansar e as quatro não cabiam num só degrau. Na época parecia engraçado. Acho que cresci um pouco. É uma pena crescer, vocês sabem. É proporcional à perda de bom humor. Bom humor, mal humor, é um estado de ânimo, de espírito, e creiam, está relacionado ao fígado. Esse órgão processa os humores. Já viram um processador de alimentos? É quase um liquidificador. Faz coisas sólidas virarem suco, líquido e então, o fígado côa. Raiva é para o fígado como pedras para os rins.
Mas eu estava falando da escada e devia subir a escada e parece que não estou com vontade quando na verdade já estou quase chegando ao fim dela e vocês nem perceberam. É a escada de Jacó. É chamada assim por causa do sonho do Jacó, alías, por causa desse livro, a Bíblia, tanta gente tem mania de ficar dando atenção a sonhos, sonhos antigos, sonhos muito antigos, sonhos de outras pessoas, sonhos de goiabada, minha avó fazia sonhos maravilhosos de marmelada, goiabada de marmelo, sítio do pica-pau amarelú, uú, uú, si-tio-do-pi-ca-pau-a-ma-re-lúuuu. Por essa escada as almas subiam aos céus. E é o que estamos fazendo nesse tour. Quando se chega ao alto dessa escada, se está no céu e o céu pode ser visto do jeito que cada um quiser. Só não muda a intenção do lugar. É o lugar da paz, do repouso, do fim, ou do antes do começo. É o lugar das respostas. Pode estar cheio ou vazio. Ser novo ou velho. Aberto ou fechado. E nenhuma dessas coisas que descrevem as coisas faz qualquer diferença. Pode ser céu azul ou vermelho. O céu também pode ser inferno se é lá que você deseja estar, se for esse seu estado de ânimo. Tudo ocupa o mesmo lugar, contrariando o grande físico, como folhas muito finas de um livro. Sobrepostas, mas que se dissolvem, transformando-se umas nas outras. Depende do estado de ânimo, do humor, do fígado. Sei lá porque que eu disse isso. Me fez pensar em fígado de bacalhau. Óleo de fígado de bacalhau. Parece horrível. Até hoje não sei bem para que as mães faziam seus filhos beberem óleo de fígado de bacalhau. Certamente uma técnica altamente eficaz de tortura psicológica, arma ameaçadora, diga-se de passagem, e muito sutil por não conter violência aparente e esconder a dominação na idéia de que “É para o seu bem, meu bem.”
Bom, chegamos. Aqui desse patamar podem se virar e olhar quanto subiram. Devem ter percebido ao longo da subida se havia estrelas, cometas, escuridão, céu azul ou chuvas e trovoadas. Ou qualquer outro tipo de cenário. As combinações são infinitas.
Quero agora apresentar-lhes o Guardião. Cada um há que ter uma entrevistazinha com ele. Talvez assim, de impacto, ou para os menos observadores, não seja perceptível que ele é um reflexo num espelho. Vocês não vêem o espelho. Mas vêem o reflexo do seu próprio e particular guardião. Viram esses dois que acabaram de pular lá para baixo? Com certeza pensaram ter visto demônios quando viram seu próprio reflexo no espelho invisível. E vão sair dizendo que demônios existem, que Satanás isso, que Satanás aquilo. Sabem quando eles vão voltar aqui? Não? Nem eu. Talvez até lá eu já tenha me aposentado desse “bico” de guia turístico. Não que seja ruim, mas sabe como é, não é meu objetivo. Preciso mesmo é “ganhar algum”. Pra financiar a universidade. Quero tornar-me um Mestre. Em quê? Ciências. Pra quê? Bom, a primeira função de um mestre em ciências é estudar, pesquisar e tornar-se mestre e depois, ensinar. Mas eu não quero ensinar, não. Quero mesmo é aprender. Gosto da aventura de buscar o desconhecido, penetrar em túneis escuros que se vão apertando e afunilando e só mostram, lá ao longe, um ponto de luz, um ponto branco sobre fundo preto que, conforme você se espreme pelo túnel e se sente uma fruta ou um legume no processador de alimentos se transformando em suco, vai crescendo e se transformando num fundo branco com um ponto negro no meio. E, se você pensou que ao chegar ao fundo branco não vai querer de jeito nenhum continuar e buscar aquele ponto negro lá ao longe, está redondamente enganado.
Legal essa expressão. Já percebeu? Redondamente enganado. Redondamente. Significa completamente, totalmente, por todos os lados, de todas as formas e maneiras. Redondo, bola, círculo, circunferência. Um algo completo, inteiro, sem embaixo, sem em cima, sem à direita, sem à esquerda, sem à frente, sem às costas. Divaguei legal.
Interessante é que túneis que se estreitam se relacionam com a Grande Pirâmide do Egito, a de Queóps e Queóps significa alguma coisa que agora esqueci. E o ponto branco no fundo preto é Yang e o ponto preto no fundo branco é Ying, uma forma de representação da Imutável Lei do Permanente Movimento ou da Permanente Mutação de tudo o que existe, pertence à também milenar cultura chinesa. Deles, dois nomes antiqüíssimos me ocorrem agora: Lao-Tsé que supostamente elaborou e compilou a sabedoria contida hoje no I Ching, o Livro das Mutações e o Confúcio que também teve sua participação especial. O mais legal nessa história, é o modo de pensar o mundo e a vida e o tempo. Para eles, e deveria ser para nós também, não sei por que desvios históricos da cultura e do pensamento não é, o momento contém em si toda a eternidade. É uma idéia velha no Oriente e, no entanto, no Ocidente, é ultra-moderna, coisa top de linha, alinhada com palavras como holístico, holograma, holocausto. Não. Holocausto, não. Como não? Holo é holo. Engraçado, olhando agora, algo me ocorre. H O L O. Indica um todo, um redondo, um círculo, um completo. Em letras minúsculas é holo. Olho. O “H” é nulo. OLO. Olo. Se repetir, fica olololololololo. Isso é o mesmo que zero-um-zero-um-zero-um. Ou linguagem binária, 01010101010101. Linguagem básica de computador onde a idéia chave é notacional, ou seja, de localização espacial dos dois números mais simples. O que faz a diferença é a casa onde estão colocados o zero e o um. Assim, zero na primeira casa, é zero. Um na primeira casa, é um. Um na segunda casa, à esquerda, e zero na primeira casa, 10, é dois. Um na segunda casa, à esquerda, e um na primeira casa, 11, é três. 100 é quatro, 101 é cinco, 111 é seis. Mas, o que relaciona HOLO, OLHO e BINÁRIOS? Entre holo e olho, dá visão holística, visão do todo, possibilidade de saber o todo pela parte. Mas, onde entram os binários? Se alguém souber, por favor...
Outra coisa interessante sobre isso é o que chamo de Segredo do Empire State. Veja a imagem ali em cima. Deu pra sacar? A escrita dos números binários se faz aumentando casas à esquerda. Se criamos um eixo e os repetimos de forma espelhada, ao contrário, à direita, a imagem é inequívoca. O único edifício igual no mundo, é o Empire State. Alguém acredita que foi por acaso ou intencional? E o nome? Empire. Império. E state, em inglês, não significa só estado mas, também, pôr em palavras. Ou, por que não, pôr em números, já que esses codificam inclusive palavras. Dessa forma, o Empire State pode ser uma conjuração mágica, além de um monumento, que mantém o mundo sob o seu domínio. Alguém duvidaria do poder das palavras com as quais se constrói um edifício? Aliás, o maior do mundo durante um bom tempo.
Alguém aí sabe decodificar, em palavras, o código do Empire State? Meu tio Moa sabia, mas ele morreu. Talvez não haja nada, o que considero mesmo improvável. Pode haver, assim como na Pirâmide, uma maldição que recaia sobre quem violar o segredo do Faraó, o Imperador. Mas, não esqueçamos da Lei dos Reflexos pela qual uma maldição para uns pode ser uma benção para outros. Na Pirâmide, a ambição pelo ouro e a riqueza material era fatal, morte certa. Pode ser o caso do Empire State, mas também pode não ser. Quem quer se arriscar a me contar se há mesmo algo escrito ali? Seria uma experiência similar ao do Champollion, o francês que dizem ter decifrado a Pedra de Roseta, que eu não sei por que tem esse nome. Sei que não pertencia a nenhuma Roseta, uma moça muito linda, de pele branca como a neve e cabelos negros como o ébano. Havia um fragmento de texto nessa pedra, em três línguas, grego, hieróglifos egípcios e a outra acho que era aramaico. (correção de 2010: era demótico, escrita egípcia corrente) O fato é que dessa forma, sabendo grego, Champollion decifrou os hieróglifos. E hieróglifos, alguns definem por garranchos, letra ou comunicação ininteligível, assim como o nosso tão conhecido e fácil alfabeto é ininteligível para os analfabetos. De qualquer forma, também é por alguma razão desconhecida que aqueles sinais e desenhos são chamados de língua dos deuses ou sagrada. Ou vocês acham mesmo que os egípcios só eram um povo estúpido e antiquado ao considerar os gatos como animais sagrados?
Ou esses eram os persas? Houve uma guerra...A guerra dos gatos. Quem sabe, que conte.
Outro mistério é Wall Street. É como se conhece a Bolsa de Valores de Nova York. Mas, wall significa muro e street, rua. Rua do Muro. É um beco-sem-saída, o próprio nome já diz, e sorte terão os últimos, pois serão os primeiros a sair.
Será isso os tais famosos olhos de ver e ouvidos de ouvir?
O que sei é que daqui do alto dessa montanha se pode ver o mundo todo e o tempo todo. Tenho a impressão de que podemos ver o mundo de várias formas. Uma delas é dada quando giramos o mundo, na mesma direção e velocidade. Mas, outras várias, e eu não sei quantas, podem ser vistas dependendo da velocidade e direção em que giramos. Já ouvi dizer que deveríamos ver o mundo como ele realmente é e não da forma como estamos acostumados a vê-lo. Quem souber a resposta, que conte.
Acho que fiquei meio mal-humorado ao chegar aqui de novo. Talvez tenha me lembrado lá no fundo do inconsciente que ele, Galahaad, sempre me fazia demorar para subir essa longa escada. Eu tinha de esperar por ele e aquelas quatro perninhas curtas reclamando da altura dos degraus. Difícil era quando ele queria parar para descansar e as quatro não cabiam num só degrau. Na época parecia engraçado. Acho que cresci um pouco. É uma pena crescer, vocês sabem. É proporcional à perda de bom humor. Bom humor, mal humor, é um estado de ânimo, de espírito, e creiam, está relacionado ao fígado. Esse órgão processa os humores. Já viram um processador de alimentos? É quase um liquidificador. Faz coisas sólidas virarem suco, líquido e então, o fígado côa. Raiva é para o fígado como pedras para os rins.
Mas eu estava falando da escada e devia subir a escada e parece que não estou com vontade quando na verdade já estou quase chegando ao fim dela e vocês nem perceberam. É a escada de Jacó. É chamada assim por causa do sonho do Jacó, alías, por causa desse livro, a Bíblia, tanta gente tem mania de ficar dando atenção a sonhos, sonhos antigos, sonhos muito antigos, sonhos de outras pessoas, sonhos de goiabada, minha avó fazia sonhos maravilhosos de marmelada, goiabada de marmelo, sítio do pica-pau amarelú, uú, uú, si-tio-do-pi-ca-pau-a-ma-re-lúuuu. Por essa escada as almas subiam aos céus. E é o que estamos fazendo nesse tour. Quando se chega ao alto dessa escada, se está no céu e o céu pode ser visto do jeito que cada um quiser. Só não muda a intenção do lugar. É o lugar da paz, do repouso, do fim, ou do antes do começo. É o lugar das respostas. Pode estar cheio ou vazio. Ser novo ou velho. Aberto ou fechado. E nenhuma dessas coisas que descrevem as coisas faz qualquer diferença. Pode ser céu azul ou vermelho. O céu também pode ser inferno se é lá que você deseja estar, se for esse seu estado de ânimo. Tudo ocupa o mesmo lugar, contrariando o grande físico, como folhas muito finas de um livro. Sobrepostas, mas que se dissolvem, transformando-se umas nas outras. Depende do estado de ânimo, do humor, do fígado. Sei lá porque que eu disse isso. Me fez pensar em fígado de bacalhau. Óleo de fígado de bacalhau. Parece horrível. Até hoje não sei bem para que as mães faziam seus filhos beberem óleo de fígado de bacalhau. Certamente uma técnica altamente eficaz de tortura psicológica, arma ameaçadora, diga-se de passagem, e muito sutil por não conter violência aparente e esconder a dominação na idéia de que “É para o seu bem, meu bem.”
Bom, chegamos. Aqui desse patamar podem se virar e olhar quanto subiram. Devem ter percebido ao longo da subida se havia estrelas, cometas, escuridão, céu azul ou chuvas e trovoadas. Ou qualquer outro tipo de cenário. As combinações são infinitas.
Quero agora apresentar-lhes o Guardião. Cada um há que ter uma entrevistazinha com ele. Talvez assim, de impacto, ou para os menos observadores, não seja perceptível que ele é um reflexo num espelho. Vocês não vêem o espelho. Mas vêem o reflexo do seu próprio e particular guardião. Viram esses dois que acabaram de pular lá para baixo? Com certeza pensaram ter visto demônios quando viram seu próprio reflexo no espelho invisível. E vão sair dizendo que demônios existem, que Satanás isso, que Satanás aquilo. Sabem quando eles vão voltar aqui? Não? Nem eu. Talvez até lá eu já tenha me aposentado desse “bico” de guia turístico. Não que seja ruim, mas sabe como é, não é meu objetivo. Preciso mesmo é “ganhar algum”. Pra financiar a universidade. Quero tornar-me um Mestre. Em quê? Ciências. Pra quê? Bom, a primeira função de um mestre em ciências é estudar, pesquisar e tornar-se mestre e depois, ensinar. Mas eu não quero ensinar, não. Quero mesmo é aprender. Gosto da aventura de buscar o desconhecido, penetrar em túneis escuros que se vão apertando e afunilando e só mostram, lá ao longe, um ponto de luz, um ponto branco sobre fundo preto que, conforme você se espreme pelo túnel e se sente uma fruta ou um legume no processador de alimentos se transformando em suco, vai crescendo e se transformando num fundo branco com um ponto negro no meio. E, se você pensou que ao chegar ao fundo branco não vai querer de jeito nenhum continuar e buscar aquele ponto negro lá ao longe, está redondamente enganado.
Legal essa expressão. Já percebeu? Redondamente enganado. Redondamente. Significa completamente, totalmente, por todos os lados, de todas as formas e maneiras. Redondo, bola, círculo, circunferência. Um algo completo, inteiro, sem embaixo, sem em cima, sem à direita, sem à esquerda, sem à frente, sem às costas. Divaguei legal.
Interessante é que túneis que se estreitam se relacionam com a Grande Pirâmide do Egito, a de Queóps e Queóps significa alguma coisa que agora esqueci. E o ponto branco no fundo preto é Yang e o ponto preto no fundo branco é Ying, uma forma de representação da Imutável Lei do Permanente Movimento ou da Permanente Mutação de tudo o que existe, pertence à também milenar cultura chinesa. Deles, dois nomes antiqüíssimos me ocorrem agora: Lao-Tsé que supostamente elaborou e compilou a sabedoria contida hoje no I Ching, o Livro das Mutações e o Confúcio que também teve sua participação especial. O mais legal nessa história, é o modo de pensar o mundo e a vida e o tempo. Para eles, e deveria ser para nós também, não sei por que desvios históricos da cultura e do pensamento não é, o momento contém em si toda a eternidade. É uma idéia velha no Oriente e, no entanto, no Ocidente, é ultra-moderna, coisa top de linha, alinhada com palavras como holístico, holograma, holocausto. Não. Holocausto, não. Como não? Holo é holo. Engraçado, olhando agora, algo me ocorre. H O L O. Indica um todo, um redondo, um círculo, um completo. Em letras minúsculas é holo. Olho. O “H” é nulo. OLO. Olo. Se repetir, fica olololololololo. Isso é o mesmo que zero-um-zero-um-zero-um. Ou linguagem binária, 01010101010101. Linguagem básica de computador onde a idéia chave é notacional, ou seja, de localização espacial dos dois números mais simples. O que faz a diferença é a casa onde estão colocados o zero e o um. Assim, zero na primeira casa, é zero. Um na primeira casa, é um. Um na segunda casa, à esquerda, e zero na primeira casa, 10, é dois. Um na segunda casa, à esquerda, e um na primeira casa, 11, é três. 100 é quatro, 101 é cinco, 111 é seis. Mas, o que relaciona HOLO, OLHO e BINÁRIOS? Entre holo e olho, dá visão holística, visão do todo, possibilidade de saber o todo pela parte. Mas, onde entram os binários? Se alguém souber, por favor...
Outra coisa interessante sobre isso é o que chamo de Segredo do Empire State. Veja a imagem ali em cima. Deu pra sacar? A escrita dos números binários se faz aumentando casas à esquerda. Se criamos um eixo e os repetimos de forma espelhada, ao contrário, à direita, a imagem é inequívoca. O único edifício igual no mundo, é o Empire State. Alguém acredita que foi por acaso ou intencional? E o nome? Empire. Império. E state, em inglês, não significa só estado mas, também, pôr em palavras. Ou, por que não, pôr em números, já que esses codificam inclusive palavras. Dessa forma, o Empire State pode ser uma conjuração mágica, além de um monumento, que mantém o mundo sob o seu domínio. Alguém duvidaria do poder das palavras com as quais se constrói um edifício? Aliás, o maior do mundo durante um bom tempo.
Alguém aí sabe decodificar, em palavras, o código do Empire State? Meu tio Moa sabia, mas ele morreu. Talvez não haja nada, o que considero mesmo improvável. Pode haver, assim como na Pirâmide, uma maldição que recaia sobre quem violar o segredo do Faraó, o Imperador. Mas, não esqueçamos da Lei dos Reflexos pela qual uma maldição para uns pode ser uma benção para outros. Na Pirâmide, a ambição pelo ouro e a riqueza material era fatal, morte certa. Pode ser o caso do Empire State, mas também pode não ser. Quem quer se arriscar a me contar se há mesmo algo escrito ali? Seria uma experiência similar ao do Champollion, o francês que dizem ter decifrado a Pedra de Roseta, que eu não sei por que tem esse nome. Sei que não pertencia a nenhuma Roseta, uma moça muito linda, de pele branca como a neve e cabelos negros como o ébano. Havia um fragmento de texto nessa pedra, em três línguas, grego, hieróglifos egípcios e a outra acho que era aramaico. (correção de 2010: era demótico, escrita egípcia corrente) O fato é que dessa forma, sabendo grego, Champollion decifrou os hieróglifos. E hieróglifos, alguns definem por garranchos, letra ou comunicação ininteligível, assim como o nosso tão conhecido e fácil alfabeto é ininteligível para os analfabetos. De qualquer forma, também é por alguma razão desconhecida que aqueles sinais e desenhos são chamados de língua dos deuses ou sagrada. Ou vocês acham mesmo que os egípcios só eram um povo estúpido e antiquado ao considerar os gatos como animais sagrados?
Ou esses eram os persas? Houve uma guerra...A guerra dos gatos. Quem sabe, que conte.
Outro mistério é Wall Street. É como se conhece a Bolsa de Valores de Nova York. Mas, wall significa muro e street, rua. Rua do Muro. É um beco-sem-saída, o próprio nome já diz, e sorte terão os últimos, pois serão os primeiros a sair.
Será isso os tais famosos olhos de ver e ouvidos de ouvir?
O que sei é que daqui do alto dessa montanha se pode ver o mundo todo e o tempo todo. Tenho a impressão de que podemos ver o mundo de várias formas. Uma delas é dada quando giramos o mundo, na mesma direção e velocidade. Mas, outras várias, e eu não sei quantas, podem ser vistas dependendo da velocidade e direção em que giramos. Já ouvi dizer que deveríamos ver o mundo como ele realmente é e não da forma como estamos acostumados a vê-lo. Quem souber a resposta, que conte.
Nesta montanha existiu, um dia, uma grande catedral. Dessas em estilo gótico, cheia de geometria simbólica, plena de significado. De paredes escuras, velhas de eternidade, feitas de pedras e cada pedra era como um livro nas prateleiras de uma biblioteca. Talvez assim também sejam os genes contidos em nossas células e, não talvez, mas, são exatamente isso: livros, blocos de informação. Deliciosa brincadeira deve ser essa dos atuais cientistas genéticos misturando informática e biologia, decifrando códigos, abrindo portas, abrindo livros. Mas eu falava da catedral que desapareceu. Estava sempre cheia e eu tinha o meu lugar. E Galahaad, também. Havia as duas alas de bancos e, na da esquerda, todos estavam sempre de mantos com capuzes cobrindo a cabeça, todos amarelos. Mas já haviam sido cinzentos. Creio que havia uma certa hierarquia indicada pelas cores dos mantos, assim como no judô ou karatê o nível alcançado pelo lutador é indicado pela cor das faixas. Era para mim como ir à missa. Ou talvez um pouco mais. Não havia cruz ou alguém crucificado. Havia sim, um sacerdote que brilhava em dourado. Como se ele mesmo fosse de ouro. Ele falava e ensinava e, algumas vezes, se sentou ao meu lado. Seu olhar eu jamais esqueci. Não existe outro igual no mundo. Se recai sobre você, você tem certeza de que ele te ama. Chove sobre a cabeça uma chuva de prata.
E, como onde está o começo ali também está o fim, dou por encerrada esta história.
E, como onde está o começo ali também está o fim, dou por encerrada esta história.
APRESENTANDO JASON
Meu nome é Jason. Não perguntem por quê. Minha mãe apenas diz que ouviu esse nome ao pé da orelha. A direita. Mas também podia ser a orelha esquerda, tanto faz, pois ela nunca ouvira falar de Jasão e o Velocino de Ouro. Nem eu. Recentemente percebi que Jason é um acrônimo (palavra formada pelas letras iniciais de outras palavras). Acrônimo de Julho, Agosto, Setembro, Outubro e Novembro. Sei lá. Sei que cresci agarrado a Galahaad, meu carneiro de estimação, que insistia em dizer que já havia sido cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur. Ele encontrou o Santo Graal e desapareceu, vindo sair aqui, neste mundo, como carneiro. Acho que isso influenciou muito. Isso de me chamar Jason, porque usando as palavras da minha mãe: Esse menino é muito irrequieto, não pára um instante, vai dali para aqui, até que eu me canse. Ela não sabe como o mundo é interessante e cheio de mistérios a desvendar, pistas que levam a outros mistérios e outras pistas que voltam a resolver aqueles primeiros mistérios e, como cada um é, em si mesmo, enquanto parte, um todo, uma história completa e, por toda parte, pessoas sussurram, se escondem, lutam, procuram e constróem a história da humanidade como se fosse a aventura de uma gigantesca nave espacial através do espaço, do tempo e das dimensões paralelas. Até hoje não sei pra quê tanto mistério, mas sei que onde houver um, lá estarei eu. Eu que me chamo Jason e, como podem ver, sou bastante eloqüente, apesar do meu entusiasmo, coisa da juventude, me fazer perder um pouco as conexões de sentido. Mas não importa. Eu não posso construir um texto pra vocês em linha reta, pois nenhuma aventura que se preze funciona em linha reta. Pra ser aventura de verdade é preciso ter muitos e muitos desvios, muitos perigos, essas coisas, e o bom aventureiro, aquele de sangue, até é capaz de criar alguns desvios. Quando o labirinto é muito simples, ele enrola porque não quer mesmo chegar ao fim. O bom aventureiro não precisa nem mesmo viajar com seus pés, mãos e braços. Eu mesmo jamais viajei mais que um raio de 1000 km. Mas já estive em balões, submarinos, naves espaciais, cidades no céu, templos no fundo do mar, nas pirâmides, no passado, no futuro, no tempo atemporal e, agora, recentemente, no centro do Sol. Já fui milhões de pessoas também, inclusive meu pai e minha mãe. Meu pai, por exemplo, é um escritor que, diante de um teclado, não escreve uma palavra. Dá “branco”. Ele deu uma saidinha, por isso estou aqui e, se um de vocês tiver a infeliz idéia de perguntar por que e de me mandar calar a boca, quero ver se é “muito macho” pra vir me impedir. Pode fechar os olhos, pode tapar os ouvidos, pode berrar, pode prender a respiração até ficar roxo e cair duro, o que seria ótima idéia, faça isso mesmo, mesmo assim, EU NÃO VOU PARAR DE FALAR. Aliás, vocês sabiam que Deus não pára de falar um só instante? É. É esse o segredo que passa de boca em boca desde os mais antigos sacerdotes, hebreus, babilônios, fenícios, egípcios, e etc.etc.etc. e nós não ouvimos mais, tamanha é a confusão de sons no ar, estática, freqüências alternadas, AM, FM, Torre de Babel e Rede Globo. Você é judeu. Não. Você é que é. Você é muçulmano. Não. Você é que é. Briga de crianças. Som de tiros, explosões, gritos de dor, choro de crianças, mais explosões, mais choros, mais explosões, um avião americano pra calar a boca de todo mundo, um piloto voltando para casa: OK Houston, Wall Street está em alta agora? No princípio era o Verbo. Como é que eu sei? Porque ouvi, oras. E tem mais. Tem as malditas lâmpadas fluorescentes. Acho que foram inventadas com o fim maligno de estupidificar funcionários e operários em todo o mundo. É a arma mais letal de todo o sistema dominador, pois qualquer desavisado, e os avisados também, está sujeito a ela, até mesmo na própria cozinha. Elas têm o poder de, pela freqüência, enrijecer estruturas mentais. São usadas para garantir o estrago que as metralhadoras não podem fazer. Aquele som penetra o subconsciente e as pessoas saem de todos os escritórios com um conceito uníssono: QUALIDADE TOTAL, QUALIDADE TOTAL. Mas, o que seria dos mistérios se não houvesse a estupidez?
O pai voltou. Não riam agora, mas o “branco” da mente está estampado em todo o rosto. Apagou os traços fisionômicos. Coitado. Será que ele já viu? Parece que sim. Está encolhido. Não posso dizer aborrecido, pois nada transparece no seu rosto. O que houve, pai?
- Não posso expressar a minha alma.
- Por quê?
- Ela viajou. Eu vacilei, ela saiu batendo as portas e dizendo que ia aprender a ser um homem já que não havia nenhum por aqui... Sabe. Essas coisas de mulher. Não sei onde foi que eu errei. Jamais vou compreender as mulheres.
É, gente. Se amanhã eu perguntar outra vez, a resposta será a mesma. Ele não sai disso. Não entendo as mulheres, não entendo as mulheres. É um trauma, sabem? Ele, um dia, assim mais ou menos com a minha idade, uns 13 anos, vocês sabem, quando os meninos descobrem as mulheres e descobrem que são diferentes das mulheres e descobrem (alguns descobrem, os que conseguiram passar dos cinco anos) que há mulheres que não são suas mães e que, portanto, há mulheres que são mulheres e descobrem que são seres poderosos e complexos para além da sua capacidade de compreensão, alguns, 99% ficam seriamente danificados em sua evolução como homens. Isso, como já disse, são aqueles que conseguiram ver as mulheres, pois uma grande parte dos seres do sexo masculino não ultrapassa a visão da mãe. Pra ser mais claro, têm mães que não saem da frente, mães que não desocupam o beco. O meu pai pertence a essa extensa faixa estatística de 100% - X – Y – Z = ZERO onde X = todos os indivíduos do sexo masculino com trauma dos 5 anos, Y = todos os indivíduos do sexo masculino com trauma dos 13 anos e Z = todos os outros traumas posteriores, o que perfaz o resultado ZERO de compreensão dos homens em relação à complexidade feminina. Essa é a fórmula da minha mãe, claro, para suportar o “branco” do meu pai. Ela sabe o que está dizendo. É uma mulher muito paciente. Me contou, uma vez, um mito grego sobre a mãe da Perséfone, aquela que jantou com o diabo no inferno, que se chamava, como era mesmo, Hera? Não. Essa era a mulher de Zeus. Deméter. É. Deméter procurava sua filha Perséfone que fora raptada por Hades, o deus do inferno. E ao inferno com eles, que o assunto é a Deméter. Enquanto procurava, passou uma temporada na casa de um rico senhor como babá do filho deste. Quis transformá-lo num deus, daqueles do Olimpo e acendeu a pira com o fogo dos deuses. A mãe da criança, vendo aquilo, se apavorou “estupidamente” e acabou com a brincadeira. Na pira, o Pirro virou ex-Pirro. Bom, a minha mãe, que é inteligente, não quis ser estúpida como a mãe-mortal e, quando eu era pequenininho, acendeu uma fogueira lá no fundo do quintal. É, gente, pode rir. Vocês não sabem é que o Prometeu havia roubado o fogo dos deuses e só restava mesmo o fogo dos humanos. Minha mãe me pôs delicadamente acima das chamas e o “fogo no rabo” invadiu minha mente. Alguns monges, lá no oriente, chamam isso de kundalini. Vocês deviam estudar história das religiões. Por quê? Sei lá porque. Acho que porque os homens são aquilo em que acreditam e como eles não sabem em que acreditam também não sabem quem são. Dizem que Deus está dentro de nós e este é um exemplo, vejam muito bem, do perfeito raciocínio aristotélico. Lógica, meus caros leitores. Retornando: se Deus está dentro de mim e eu não acredito em mim, não acredito em Deus e, se Deus não existe porque não acredito em Deus porque não acredito em mim, então Eu não existo. E, ainda assim, mesmo que vocês não acreditem, Eu penso e, até hoje, tem gente que duvida do Descartes. Esse foi aquele filósofo que disse: eu não entendo nada do que todo mundo disse até agora porque entre algumas poucas verdades como “uma mão humana tem 5 dedos”, há um zilhão e meio de baboseiras e “especulações filosóficas inúteis e infundadas” como aquela de dizer que as coordenadas X e Y correspondem a dimensões de espaço e tempo que a mente humana necessita para funcionar e que são os tijolos mentais que mantém as pessoas aprisionadas no labirinto, acreditando que não podem coisas que podem como ouvir o canto dos anjos, ouvir os berros de Deus (Sua Besta! Ele diz freqüentemente), navegar nas ondas das dimensões meta-temporais, ver o transparente e mais uma porção de coisas que as pessoas acreditam que não acreditam e assim, não acreditam em si mesmas, tornando-se inexistentes, juntamente com Deus e tudo desaparece. É o Fim do Mundo. Aliás, já predito pelos profetas e pelo Nostradamus, aquele que é o filho da mãe.
Os filósofos são mesmo uns caras estranhos, assim como o meu pai. São “amigos da sabedoria” ou é como se denominam, mas quando ela se estampa diante dos seus olhos, a chamam de alucinação e coisa do demônio, correm para todos os lados feito gazelas assustadas, queimam bruxas, têm “brancos” e repetem dia após dia: “Eu não entendo as mulheres.” Nos dias atuais, brincam de procurá-la na política e, até eu, que nem filósofo sou, sei que é ali que ela não está. Eles não querem encontrá-la. É. Com certeza, não querem.
Minha mãe diz que a sabedoria é uma mulher e eu já disse que ela, minha mãe, é muito especial? Ela, minha mãe, sabe que não sabe nada, analfabeta, coitada, e conta a lenda do Oráculo de Delfos e o Apolo e o Sócrates e o Platão e enfim, saco, sempre que sai uma discussão entre ela e meu pai e quando ela sabe que não está coberta de razão, (principalmente!), sai da sala batendo os pés e dizendo: Eu não sei de nada mesmo, eu não sei mais nada, faça como você quiser, e bate a porta, na certeza de que ele vai fazer exatamente o que ela quer que ele faça. Isso é sabedoria.
E eu, no meio disso tudo, com treze anos, prestes a ficar traumatizado para o resto da vida, me pergunto por que encontrar a Mulher tem de ser assim tão dramático? Ela te mata, é certo, mas será que não podemos nos entregar a ela prazerosamente e deixar que nos envolva e nos envolva e nos envolva e, assim, talvez, sem perceber, um dia acordemos um Homem?
O pai voltou. Não riam agora, mas o “branco” da mente está estampado em todo o rosto. Apagou os traços fisionômicos. Coitado. Será que ele já viu? Parece que sim. Está encolhido. Não posso dizer aborrecido, pois nada transparece no seu rosto. O que houve, pai?
- Não posso expressar a minha alma.
- Por quê?
- Ela viajou. Eu vacilei, ela saiu batendo as portas e dizendo que ia aprender a ser um homem já que não havia nenhum por aqui... Sabe. Essas coisas de mulher. Não sei onde foi que eu errei. Jamais vou compreender as mulheres.
É, gente. Se amanhã eu perguntar outra vez, a resposta será a mesma. Ele não sai disso. Não entendo as mulheres, não entendo as mulheres. É um trauma, sabem? Ele, um dia, assim mais ou menos com a minha idade, uns 13 anos, vocês sabem, quando os meninos descobrem as mulheres e descobrem que são diferentes das mulheres e descobrem (alguns descobrem, os que conseguiram passar dos cinco anos) que há mulheres que não são suas mães e que, portanto, há mulheres que são mulheres e descobrem que são seres poderosos e complexos para além da sua capacidade de compreensão, alguns, 99% ficam seriamente danificados em sua evolução como homens. Isso, como já disse, são aqueles que conseguiram ver as mulheres, pois uma grande parte dos seres do sexo masculino não ultrapassa a visão da mãe. Pra ser mais claro, têm mães que não saem da frente, mães que não desocupam o beco. O meu pai pertence a essa extensa faixa estatística de 100% - X – Y – Z = ZERO onde X = todos os indivíduos do sexo masculino com trauma dos 5 anos, Y = todos os indivíduos do sexo masculino com trauma dos 13 anos e Z = todos os outros traumas posteriores, o que perfaz o resultado ZERO de compreensão dos homens em relação à complexidade feminina. Essa é a fórmula da minha mãe, claro, para suportar o “branco” do meu pai. Ela sabe o que está dizendo. É uma mulher muito paciente. Me contou, uma vez, um mito grego sobre a mãe da Perséfone, aquela que jantou com o diabo no inferno, que se chamava, como era mesmo, Hera? Não. Essa era a mulher de Zeus. Deméter. É. Deméter procurava sua filha Perséfone que fora raptada por Hades, o deus do inferno. E ao inferno com eles, que o assunto é a Deméter. Enquanto procurava, passou uma temporada na casa de um rico senhor como babá do filho deste. Quis transformá-lo num deus, daqueles do Olimpo e acendeu a pira com o fogo dos deuses. A mãe da criança, vendo aquilo, se apavorou “estupidamente” e acabou com a brincadeira. Na pira, o Pirro virou ex-Pirro. Bom, a minha mãe, que é inteligente, não quis ser estúpida como a mãe-mortal e, quando eu era pequenininho, acendeu uma fogueira lá no fundo do quintal. É, gente, pode rir. Vocês não sabem é que o Prometeu havia roubado o fogo dos deuses e só restava mesmo o fogo dos humanos. Minha mãe me pôs delicadamente acima das chamas e o “fogo no rabo” invadiu minha mente. Alguns monges, lá no oriente, chamam isso de kundalini. Vocês deviam estudar história das religiões. Por quê? Sei lá porque. Acho que porque os homens são aquilo em que acreditam e como eles não sabem em que acreditam também não sabem quem são. Dizem que Deus está dentro de nós e este é um exemplo, vejam muito bem, do perfeito raciocínio aristotélico. Lógica, meus caros leitores. Retornando: se Deus está dentro de mim e eu não acredito em mim, não acredito em Deus e, se Deus não existe porque não acredito em Deus porque não acredito em mim, então Eu não existo. E, ainda assim, mesmo que vocês não acreditem, Eu penso e, até hoje, tem gente que duvida do Descartes. Esse foi aquele filósofo que disse: eu não entendo nada do que todo mundo disse até agora porque entre algumas poucas verdades como “uma mão humana tem 5 dedos”, há um zilhão e meio de baboseiras e “especulações filosóficas inúteis e infundadas” como aquela de dizer que as coordenadas X e Y correspondem a dimensões de espaço e tempo que a mente humana necessita para funcionar e que são os tijolos mentais que mantém as pessoas aprisionadas no labirinto, acreditando que não podem coisas que podem como ouvir o canto dos anjos, ouvir os berros de Deus (Sua Besta! Ele diz freqüentemente), navegar nas ondas das dimensões meta-temporais, ver o transparente e mais uma porção de coisas que as pessoas acreditam que não acreditam e assim, não acreditam em si mesmas, tornando-se inexistentes, juntamente com Deus e tudo desaparece. É o Fim do Mundo. Aliás, já predito pelos profetas e pelo Nostradamus, aquele que é o filho da mãe.
Os filósofos são mesmo uns caras estranhos, assim como o meu pai. São “amigos da sabedoria” ou é como se denominam, mas quando ela se estampa diante dos seus olhos, a chamam de alucinação e coisa do demônio, correm para todos os lados feito gazelas assustadas, queimam bruxas, têm “brancos” e repetem dia após dia: “Eu não entendo as mulheres.” Nos dias atuais, brincam de procurá-la na política e, até eu, que nem filósofo sou, sei que é ali que ela não está. Eles não querem encontrá-la. É. Com certeza, não querem.
Minha mãe diz que a sabedoria é uma mulher e eu já disse que ela, minha mãe, é muito especial? Ela, minha mãe, sabe que não sabe nada, analfabeta, coitada, e conta a lenda do Oráculo de Delfos e o Apolo e o Sócrates e o Platão e enfim, saco, sempre que sai uma discussão entre ela e meu pai e quando ela sabe que não está coberta de razão, (principalmente!), sai da sala batendo os pés e dizendo: Eu não sei de nada mesmo, eu não sei mais nada, faça como você quiser, e bate a porta, na certeza de que ele vai fazer exatamente o que ela quer que ele faça. Isso é sabedoria.
E eu, no meio disso tudo, com treze anos, prestes a ficar traumatizado para o resto da vida, me pergunto por que encontrar a Mulher tem de ser assim tão dramático? Ela te mata, é certo, mas será que não podemos nos entregar a ela prazerosamente e deixar que nos envolva e nos envolva e nos envolva e, assim, talvez, sem perceber, um dia acordemos um Homem?
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